E o dito popular se confirma mais uma vez. Gilmar Mendes acatou o pedido de habeas corpos, e um dos maiores grupos criminosos que esse país já conheceu está livre novamente. Parece a ação corrobora o que Dantas já havia dito “No STJ e no STF eu resolvo tudo facilmente”.

Sergio Malbergier publica Juiz contra Juiz.

Horrivel, horrendo o que aconteceu. Nao há duvidas. Porem, como sempre, nossa imprensa nao parece querer fazer o dever de casa.

- Por que haveria interesse dos traficantes da outra favela em matar os jovens?

Ninguem respondeu. Consultei Folha, OI alem dos jornais televisivos. O maximo de informacao que obtive é que voltavam de um baile funk, se recusaram a serem revistados e o resto da historia voce já sabe.

Nao que o fato destes serem bandidos justifique o ato do exercito ou dos outros traficantes, mas por que deixar essa informacao relevante de lado?

Simples, porque perde-se o impacto. Note que o alvo nao é mais o exercito e sim o governo que o colocou lá.

“A CPI do Apagão Aéreo é o último exemplo de como nossos políticos podem sempre se superar. Da noite para o dia, nossos deputados tornaram-se especialistas em aviação. Criar projetos para educação, saúde e segurança não é mais, e talvez nunca tenha sido, o papel deles.
A nova obrigação do Congresso é investigar acidentes aéreos, analisar caixas-pretas e revisar o manual de operação do Airbus-A320. É indiscutível que o problema aéreo brasileiro precisa ser resolvido, entretanto, investigação de acidente aéreo é função do Cenipa.”
DANIEL DE SOUZA KAMIYA (Campinas, SP)

Perfeito!!!

Do Painel da FSP de hoje

October 30, 2006

Um adversário tripudia do fato de o candidato tucano ter recebido no segundo turno menos votos do que no primeiro: “Quando o eleitor conheceu melhor Geraldo Alckmin, teve menos vontade de votar nele”.

Perfeito!

“Se o debta Lula x Alckmin na Bandeirantes levou alguém a mover-se com sua preferência de um para outro candidato, o imaginável é que se trate de um portador de hiperatividade, à espera sempre de um pretexto. As votações de internet que aí estão, para sugerir vencedor, não têm representatividade, expostas que são a mobilizações organizadas para amplificar determinar apoio. Não só votações de sentido político, aliás, sujeitam-se na internet às deformações de representatividade.

“Não houve debate. Houve discussão. O novo modelito apresentado por Geraldo Alckmin determinou o rumo do confronto, não incluindo nele nem uma só idéia ou proposta sua para o eventual exercício da Presidência, nem permitindo que o adversário o fizesse, caso o desejasse mesmo. O outro componente do modelito teve menos conseqüências para o eleitor ansioso por saber, afinal, um pouco do que pense o ex-governador de São Paulo. Mas não foi menos impróprio para o que deveria ser a confrontação de projetos para o país.

“Geraldo Alckmin, à revelia do que até então aparentara, apresentou-se como um misto de Carlos Lacerda e Fernando Collor. O pior de ambos: a agressividade compulsiva de Lacerda e a arrogância de Collor. A agressividade inquisitiva de Alckmin, até para fazer perguntas insossas e que mal conseguia concluir, não parecia de Geraldo Alckmin, o imperturbável. A ostentação de uma superioridade humilhante lembrou muito pouco, se chegou a lembrar, o Geraldo Alckmin até então apresentado aos eleitores, e muito o Collor do debate com Lula.

“O Geraldo Alckmin da Bandeirantes pode ter correspondido à cobrança de Fernando Henrique, que expôs de público a sua nostalgia pela ausência de Carlos Lacerda, não pelo brilho, mas pela agressividade. Nunca foi a atitude adotada na carreira de Fernando Henrique, conhecedor de tudo o que convém à propulsão de uma carreira, e deixou Lacerda distante de tudo o que mais quis.

“Lula também não esteve à altura da ocasião. Acima de outros possíveis motivos, por este: não poderia estar. Não tinha saída. Caso recusasse, para falar de propostas, o rumo inquisitorial dado por Alckmin já a partir do primeiro instante do confronto, Lula seria acusado de fuga aos temas incômodos. Aceito o rumo, para não se mostrar fugitivo, ficou condicionado à discussão em lugar de debate programático, supondo-se que o desejasse como o sugeriu mais de uma vez.

“Caso as investigações não a respondam antes, continuará explorada a pergunta mais repetida por Alckmin na discussão: “De onde veio o dinheiro?” (do negócio com o dossiê). Não é uma indagação-acusação honesta. Até agora não consta nenhuma sugestão objetiva, nem sugestão, de que Lula tenha algo a ver com o negócio do dossiê ou, ao menos, conhecimento dele -como Roberto Jefferson lhe deu, em parte, do mensalão.”

Que sabe votar, hein? Elegeu Maluf, Clodovil e Celso Russomano. Deu ao PSDB mais quatro anos para tentar resolver a situacão depois de longos doze anos de atuação.

Reproduzo abaixo mensagem que recebi:

“Democracia é coisa séria. E a gente respeita o voto consciente da gente bandeirante.

“E o povo da terra mostrou mesmo que sabe votar. Na cabeça, Paulo Maluf, dos cárceres para a Câmara Federal. Reparou-se uma falha grotesca da Justiça. Depois, Celso Russomano, o nobre pugilista de rua, honestíssimo homem de imprensa. Juntos, conduzirão mais tantos honoráveis “zés” de Piratininga ao Congresso.

“Depois, Clodovil Hernandes, orgulho da moda nacional. Na Câmara, certamente aprovará a Lei que nos designa, oficialmente, “sub-raça”, conforme sua bronca na entrevista da Folha. Se bem-sucedido, certamente ganharemos o primeiro “holandês” por opção do Parlamento.

“Por último, o prolífico Enéas, do Prona, que terá mais quatro anos para aprovar a construção da bomba atômica brasileira.

“Bravo povo paulista, que quase bota fora esse atrevido Suplicy. De fina estirpe, mete-se somente com projeto de auxílio aos pobres. Ele ouviu a advertência. Que, agora, se comporte.

“Bravo povo paulista, que nunca se liga nessas bobagens de CPIs. Crédulo no Estadão e na Folha, levou para o Palácio dos Bandeirantes o maior negociador de ambulâncias da história brasileira. Logo, teremos uma concessionária de veículos médicos no Morumbi. Ah, e muitos, muitos negócios nas licitações para o fornecimento das rampas anti-mendigo.

“E, por fim, palmas para quem vê, no Brasil, um novo horizonte a partir da disciplina prescrita pelo Monsenhor Escrivá. Podemos já queimar a gaveta com as 65 CPIs natimortas. E assumiremos que a Nossa Caixa é bem gerida. Estenderemos a todo o país a nossa máquina de fazer dinheiro com pedágios. Ah, e o Palácio do Planalto tem lugar de sobra para os 400 vestidos de luxo transacionados pela candidata a futura dama. O próximo passo será transformar a Granja do Torto em filial da Daslu, sempre isenta de impostos. É Saaampa, exportando o luxo para o cerrado.

“Então, fica o grande presente musical a todo valente povo descendente de João Ramalho e Bartira.”

A CBN fez a pouco uma síntese do debate simplesmente reproduzinho o que os candidatos disseram sobre Lula. Nao reproduziram uma proposta, uma idéia, nada. Apenas todos os candidatos batendo no outro candidato. Eles pensam que seus ouvintes são burros?

O Heródoto Barbeiro também seleciona muito bem seus entrevistados, mas nao se dá ao trabalho de contar detalhes mínimos sobre quem são. Meses atrás entrevistou Luis Carlos Mendonça de Barros, que relatou como o governo Lula promoveu um atraso e elevação dos gastos ao acabar com o projeto de terceirização nas estatais. No caso, a Petrobras.

Nao tenho dúvidas que gasta-se menos com terceiros ao invés de contratar concursados. O que nao se mostra são quantos desastres ambientais ocorreram nos anos em que terceiros substituiram os concursados. Tambem desnecessario dizer que o desenvolvimentista Luiz Carlos Mendonça de Barros foi quem convenceu FHC a gastar mais dinheiro do orçamento em detrimento às 51 medidas para economizar — que foram só para ingles ver, ou melhor, só para o FMI ver. Isso foi em 1998. Em 1999 o Brasil quebrou durante a crise da Russia. Mendonça de Barros também era sócio do Primeira Leitura, que acolhia Reinaldo Azevedo. Um protótipo de Mainardi, só que com ainda menos talento.

Mas a classe média que houve essa rádio não conecta os discursos às pessoas e seu passado recente. E balança a cabeça em concordância. Só lamento.

Lula e o debate na TV Globo

September 29, 2006

Foi um grande erro Lula ter decidido por não comparecer. No mínimo devia ter ido não apenas para responder as acusações, mas para mostrar ao público quem é Alckmin, quem é HH e quem é Cristovam (este foi beneficiado pelas arcas da Odebrecht em 1994). Nenhum deles pode cobrar lisura e se pintar como imaculado, nao são.

Mas nao ter ido ao debate foi um tapa na cara dos eleitores pensantes. Lula apostou que o ibope do debate cairia sem sua presença. Apostou errado. A média foi 30 pontos. Tenho certeza que haverá segundo turno, e tenho certeza que contribuirei com isso votando no Cristovam. Sim, por que entre ele, Bivar, Heloisa Helena, Alckmin e aquele “democrata cristão”, fico com o Cristovam.

O PT contra a sensatez

September 25, 2006

Otimo artigo que reproduzo nas linhas abaixo.

“Há mais de um mês se formou um consenso entre os analistas políticos: somente um fato novo, desconhecido, poderia mudar a tendência de vitória de Lula no primeiro turno das eleições. A possibilidade de um fato novo significativo, no entanto, era altamente improvável por toda a história recente de crise política e pelo eventual esgotamento do estoque denuncista da oposição.

Contra todas as tendências probabilísticas, contra a lógica da sensatez política, o fato novo aconteceu. Em face da incapacidade da oposição de produzi-lo, o próprio PT se encarregou de lançar um torpedo de alto teor explosivo contra o favoritismo de Lula de vencer a eleição no primeiro turno. Há que se concluir, antecipadamente, que a capacidade do PT de destruir-se e de prejudicar o governo parece ilimitada.

A arrogância, a falta de discernimento político e histórico, a irresponsabilidade, a ausência de um mínimo respeito republicano às leis e o aventureirismo político de alguns petistas explicam a ocorrência do improvável. Os principais envolvidos na trapalhada vêm da área sindical. Neste meio – onde há também sindicalistas corretos – nunca houve muito apreço por um comportamento adequado nas disputas. Em parte, o PT herdou velhas práticas inadequadas e não-democráticas e de usos escusos de recursos de campanhas, que vicejam no movimento sindical.

Apesar da fragilidade e da parcialidade de nossas leis e instituições democráticas, elas existem e, em parte, funcionam. Muitos petistas preferiram ignorá-las. A própria Polícia Federal, sob o governo Lula, ganhou mais autonomia e eficiência. Alguns petistas, na sua arrogância, preferiram esnobar esta conquista do próprio governo do PT e se meteram com gente investigada e monitorada. Trata-se de uma mistura de amadorismo com arrogância.

Além da permissividade ilegalista, além da aceitação imoral de que em nome da “causa” e do poder tudo é possível, o PT, na medida em que se foi tornando um partido de governo, perdeu os filtros partidários e abriu portas e janelas para que a ele se agregassem oportunistas, aventureiros e arrivistas. O imbróglio do dossiê é fruto da soma de velhas práticas sindicais com o novo aventureirismo que se adensou no PT.

Grupos de interesses adquirem autonomia dentro do partido e os mecanismos de controle centralizado não funcionam em matéria de decisões, iniciativas, recursos e políticas orientadas para o governo. Com isto, o risco de crises e de escândalos é permanente. No PT do poder, a ideologia se tornou um artigo secundário na sua função de amalgamar condutas adequadas. Na falta desta, sobrou o interesse puro e simples. Agora, quando a ideologia vem à tona, vem de forma canhestra, para justificar o injustificável. A antiga ideologia de esquerda se tornou ideologia de cobertura e de justificação, no pior sentido da palavra.

O neopetista é bem diferente do velho soldado petista de porta de fábrica e de luta social nos bairros periféricos. O velho petista continua angariando votos, mas com muita desilusão. O neopetista é aquele que fez carreira de sucesso de aparatchik no partido e nos sindicatos, é o diretor de empresas públicas, o advogado. Anda com ternos bem talhados, vive bem, diverte-se, tem bons salários e pouco conhecimento político. É uma espécie de yuppie-boss da política.

O presidente Lula chegou aonde chegou, em termos de intenções de voto, não porque principalmente é carismático, não porque principalmente o povo não sabe votar, mas porque, apesar de uma série de equívocos políticos e frustrações de expectativas, o seu governo produziu resultados positivos em várias frentes – resultados melhores que os do governo anterior. Mas Lula não teve o devido senso de proporção, recomendado pelo sociólogo Max Weber no famoso texto Política como Vocação. Ou seja, não se distanciou criticamente das coisas e dos amigos para poder julgá-los com a acuidade exigida de um governante. Os amigos, principalmente os amigos interessados, tendem a arrastar os governantes para o torvelinho das crises. Lula tinha de ter-se cercado de pessoas de confiança, mas capazes e imbuídas de espírito público, tementes às leis. E estas pessoas deveriam ter claros os seus limites, impostos pelo presidente.

Se Lula vencer as eleições e quiser governar com tranqüilidade, sem sobressaltos, e se quiser alimentar ainda a pretensão de se tornar um estadista, terá de fazer uma enorme faxina na cozinha das amizades e do governo. Terá de afastar muita gente da velha companheirada. Se fizeram as trapalhadas que fizeram com a perspectiva de se manterem no poder por mais quatro anos, imagine-se as trapalhadas que poderão fazer sem a perspectiva de poder.

Se vencer, Lula terá de ser a autoridade forte de seu governo, juiz rigoroso de seus auxiliares. Não poderá mais ter confiança, ao menos excessiva, em subordinados e companheiros e no PT. O PT virou uma caricatura do que prometia ser. Lula terá de fazer uma reforma política capaz de projetar uma mudança drástica nos usos e costumes políticos do País.

Os partidos políticos, com programas e projetos, deverão sair desta reforma sobrepostos aos indivíduos, aos deputados, aos grupos de interesses, aos oportunistas, aos aventureiros e às bancadas disto e daquilo, que grassam na política brasileira. Os partidos precisam ser sujeitos de responsabilidade pelas negociações, pelos acordos e pelas decisões políticas. E precisam ser sujeitos de responsabilidade pelos atos de seus filiados e integrantes. Sem uma reforma política abrangente e moralizadora, as crises continuarão se sucedendo governo após governo.”

Aldo Fornazieri é professor de Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp)

Lula pode se dar mal…

September 18, 2006

Lula que gosta tanto de metaforas, proverbios e dizeres, podia refletir sobre o “peixe morre pela boca” e fechar a matraca. Deus queira que o quê pensa no impeto, na raiva, nao se traduza em atos concretos. Da coluna de Elio Gaspari na FSP:

Durante jantar de plutocratas a que Lula compareceu na quinta-feira, o empresário Eugenio Staub perguntou-lhe como pretendia fazer, durante um segundo mandato, as reformas que julga necessárias. “Nosso guia” respondeu: “Staub, não acorde o demônio que tem em mim, porque a vontade que dá é de fechar esse Congresso e fazer o que é preciso”. Segundo Lula, o próximo Congresso será pior do que “esse que está aí”, pois virá com Paulo Maluf e Clodovil.
Expressando-se na sua língua franca, deixou mal a mãe de pelo menos 20 notáveis nacionais. A proposta golpista do demônio que Lula carrega consigo foi contestada pelos inúmeros convidados que a ouviram.
Lula vê outro empecilho para o êxito do seu projeto: a imprensa.
Nos últimos 50 anos, o coisa-ruim rondou três presidentes: Jânio Quadros, João Goulart e Costa e Silva. Nenhum deles concluiu o mandato. (Castello Branco e Ernesto Geisel fecharam o Congresso por poucas semanas.) Seja o que Deus quiser.

Isso serviu como matéria-prima para que já o acusem de golpe num provavel próximo mandato. Só nao se esqueçam que há denuncias de mordaças e maquiagem de números no governo tucano de Aécio Neves (aqui aqui e aqui) além das CPIs (quase setenta) barradas pelo ex-governador e hoje candidato à presidência Geraldo Alckmin (aqui e aqui e aqui e aqui).