Outro acidente aereo

July 18, 2007

Sou de Sao Paulo e fui ao Rio de Janeiro no domingo a negocios. Na volta, em um aviao da Gol — costumeiramente atrasado — pousamos em Congonhas por volta das 21h. O pouso foi horripilante. A impressao que deu foi a de que o piloto atirou o aviao na pista e freou. Nunca tinha experimentado tamanha agressividade. Coisas cairam, pessoas se seguraram. Pensei que o aviao fosse sair da pista. Finalmente tudo se normalizou e desembarcamos.

Pensei seriamente em procurar o comandante para sugerir que trocasse de profissao. Menos de 24h depois ouço na CBN, da reporter que sobrevoa a cidade para noticias de transito, que uma explosao acabara de acontecer na zona sul, e estavam a caminho. Em instantes disseram que era ao lado de Congonhas.

Torcemos aqui no escritorio para que fosse um aviao de carga, mas em alguns minutos confirmaram que era um aviao de passageiros. Mais um. Mais centenas de vitimas de um acidente horrivel.

As teorias logos se sucederam: a pista estava escorregadia. Faltam as ranhuras. Isso deu um novo sentido ao pouso que experimentei na segunda-feira, durante chuva intensa. Será que o piloto estava tao tenso para usar toda a pista que preferiu um pouso desconfortavel a um conforto inseguro?

Agora ouço Mirian Leitao, Gilberto Dimmestein e Alexandre Garcia correndo para associar o acidente à crise aerea, se apressando em dar uma conotacao politica a um evento que ainda nao acabou. Corpos ainda estao queimando. Nao é um pouco cedo para tentar apontar dedos?

Queda do avião da Gol

October 1, 2006

Eu não gosto de viajar de avião. Já fui para londres ficando interminaveis horas dentro de um AirBus, depois algumas vezes aos Estados Unidos, mais interminaveis horas. Eu tenho plena consciencia que estatisticamente é mais fácil voce se envolver num acidente num automovel que num avião. Mas, ainda estatisticamente, quais sao as reais chances de voce sobreviver a um acidente aereo?

Na sexta-feira noticiou-se o desaparecimento de um Boeing da Gol. Ontem os destroços foram encontrados. A noticia me deixou transtornado, mas nao sei dizer exatamente porquê. Me pergunto quanto tempo de agonia os passageiros tiveram que aguentar. Lendo a reportagem da FSP de hoje, a velocidade estimada da queda era de 400km/h, caindo de uma altura de 37 mil pés, ou 11.200 metros. Fazendo as contas, são quase dois minutos de queda. Dois imensos minutos preso numa cabine apertada, na vertical, tendo-se nada alem da certeza que voce nao vai sobreviver, que sua hora chegou e tudo aquilo que voce deixou para mais tarde nao acontecerá. Nao ouso imaginar a experiencia.

Desde os anos 50 aviões embutem um sistema para evitar colisões, conhecido por TCAS ou Traffic Collision Avoidance System. Nesse sistema o avião envia sinais interrogando os aviões prõximo sobre suas posições. Os aviões respondem e é feito um cálculo para prever uma possivel colisao. Se uma possivel colisão é detectada, os pilotos sao avisados por sinais luminosos e sonoros – literalmente um alarme dispara na cabine – e o computador se encarrega de sugerir um curso de ação. Como “suba para 40 mil pes”. A checagem é feita várias vezes por segundo. Todos aviões envolvido se portam da mesma maneira, ou seja, todos os lados devem agir.

Além disso, possiveis colisões podem ser detectadas por operadores de trafego aereo. Numa possivel colisão entre duas aeronaves temos possivelmente três figuras capazes de evitar um desastre. O piloto do avião A, do B e o operador de trafego. Como foi possivel ocorrer esse desastre?